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  Ricardo Abrahão representa o pais no exterior - Por Silvia Rafael

  O santarritense Ricardo Abrahão passou alguns dias na cidade e se preparando para ir para o exterior. Ele conta em entrevista como foi a visita do papa Bento XVI no Mosteiro São Bento em que é regente do coro. Também fala da alegria de ser membro da academia de letras, recém empossado, e da viagem à Alemanha e Dinamarca, a trabalho.
   
  O regente Ricardo Abrahão esteve em Santa Rita do Sapucaí e se preparando para viagem à Alemanha para conferências e curso. Em entrevista na manhã desta quarta-feira, 30, nos contou da convivência de dois dias no Mosteiro São Bento em São Paulo, a hospedagem do papa Bento XVI. Como foi a passagem do pontífice e sua participação no coro dos monges beneditinos.

Para Ricardo, poder estar com o papa foi uma graça de Deus e a visita ocorreu em sua grande parte como o esperado. “Como já havíamos falado na entrevista anterior, seguiu a programação e cantamos todo o programa para ele, o recebemos cantando”, explica. “A grande surpresa foi ele já entrar quebrando o protocolo, foi cumprimentando um por um, tivemos a oportunidade de receber os cumprimentos do santo padre já na entrada, logo que ele chega. Só estávamos nós do coro dentro do mosteiro. Foi um momento exclusivo nosso”, destaca.

Segundo Ricardo no momento em que Bento XVI entra no mosteiro foi um momento muito particular, único. “Uma emoção indescritível, estar aquele homem ali na frente da gente”, revela. Como regente do coro dos monges beneditinos, Ricardo estava nos bastidores da visita do papa no Brasil, dentro do local de seu trabalho, pôde conviver com o santo padre. “Tive a oportunidade de estar com ele 15 vezes, vivendo como bastidor mesmo. Ganhei uma medalha, um terço e um cartão. Ele foi super carinhoso, gentil comigo e se revelou um homem extremamente humilde e santo”, descreve.

Ricardo detalha: “Ele é humilde e santo. A santidade é uma característica que vemos em pequenas coisas. Uma pessoa sã, santa, é uma pessoa purificada. Uma pessoa sã ela tem a mente sã, o coração são. É uma pessoa que está dentro da origem de acordo com a alma que Deus criou, é assim que eu defino um santo. Uma pessoa que está fazendo a vontade de Deus, uma vontade da verdade o tempo todo. Em nenhum momento ele {Bento XVI} deu uma demonstração de individualismo, de egoísmo. Ele estava ali completamente a serviço, mas nas pequenas coisas que vemos isso”, ressalta. Ricardo também percebeu no jeito de olhar, de falar, na tonalidade da voz de Bento XVI. “Nas pequenas coisas mostra se uma pessoa é santa ou não. Ele realmente é um santo”, define.
   
 
Escolhido pelos novos acadêmicos,
Ricardo faz o discurso de agradecimento.

Leia abaixo o restante da entrevista
em que ele ainda fala da posse na Academia de Letras que ocorreu no último sábado
(veja matéria completa no jornal do Vale da Eletrônica, edição 575, página 5) e da viagem à Alemanha.
   
  Jornal O Vale da Eletrônica:
Foi fotografado o momento em que esteve com o papa?

Ricardo Abrahão: Sim, tiramos fotos com ele mas quem bateu foi a equipe do Vaticano e nós não podíamos lá dentro usar máquina, filmadora nem gravador. Estamos aguardando as fotos que acho que só vou ver depois da viagem. O vaticano mesmo vai mandar para nós tem o momento em que estou com ele, conversando, que beijo a mão dele. Eu só tenho uma foto na catedral da Sé que muitos puderam tirar também”.

Jornal O Vale da Eletrônica:
E o que você sentiu quando na oportunidade de estar com o papa?

Ricardo Abrahão: Primeiro foi uma graça de Deus, não esperava nunca ver um papa de tão perto da maneira como foi. Foi ele quem veio, eu não precisei sair do lugar, da minha sala. Não esperava que também os encontros fossem tão freqüentes e tão intensos, porque devido a agenda dele eu achava que, claro sabíamos que íamos vê-lo cumprimenta-lo, mas achava que a gente nem fosse ver direito o papa e no entanto pude vê-lo 15 vezes; encontrar com ele, ver detalhes da visita. Cantamos no almoço, não fizemos refeições com ele, mas cantamos a Laudes Hincmaris que é uma homenagem que se faz para uma autoridade eclesiástica, é uma peça que compõe com o nome do homenageado e fizemos em latim, para ele e os cardeais, feita após a refeição, ou seja na sobremesa. Hoje em dia é raro ver isso. Fizemos o arranjo, entreguei a partitura na mão dele e depois recebemos uma maravilhosa mensagem de agradecimento dele por termos feito isso por ele.

Jornal O Vale da Eletrônica:
E como membro da Academia de Letras, como se sente?

Ricardo Abrahão: Eu me sinto na obrigação de ajudar no que estiver ao meu alcance de compartilhar das capacidades que Deus me deu e também me sinto muito feliz porque eu tenho a certeza que vou aprender muito com as pessoas que estão lá. o nível da nossa Academia é muito alto, conheço as pessoas que estão lá dentro e tenho certeza que vou receber desses confrades e confreiras um auxilio intelectual muito grande. Eu só tenho a crescer e espero que nossos trabalhos estejam a serviço da sociedade.

Foi uma honra com relação a família, também falei no discurso que vou ocupar a cadeira 23, que tem o nome do meu bisavô, professor José Antonino Raposo Lima, que tem história marcante na educação de Santa Rita, ele esteve presente nas fundações das escolas aqui, intelectual e ocupar a cadeira onde ele é patrono. Depois tem a cadeira número 13, que a patrona é minha tia Maria José Raposo Lima, também professora e foi diretora aqui em Santa Rita. E meu tio e padrinho que é irmão dela, Dr. Francisco Raposo Lima, que era Procurador Geral da Justiça do Estado de Minas Gerais. Ele era acadêmico e depois que morreu ganhou uma cadeira e essa que ele é patrono é ocupada pelo meu tio Paulo Renato Raposo Abrahão que todos conhecem.

Achei uma honra muito grande também a minha família ter preparado esse caminho, de certa forma temos que agradecer muito os antepassados, que preparam os caminhos para gente, não viemos sozinhos, não andamos sozinhos. Foi uma honra ver essas cadeiras ocupadas com três pessoas da família, são patronos da Academia e com mais um tio que é membro e agora eu.

Jornal O Vale da Eletrônica: Você foi responsável pelo discurso de posse dos novos acadêmicos, o que o inspirou?

Ricardo Abrahão: O agradecimento que a gente faz quando é eleito é o agradecimento que as pessoas tem em acreditar na gente porque às vezes que elejamos estamos acreditando nela, a gente acredita e deposita esse crédito que essa pessoa vai fazer alguma coisa, ou no nosso caso, tem muitos que já fizeram e foram eleitas.

Esse discurso de agradecimento, sobretudo foram duas eleições, primeiro eleito para a Academia e segundo os membros que foram eleitos me elegeram para fazer o agradecimento em nome de todos. Foram dois créditos dados. Eu gostaria em especial de agradecer todo o empenho e carinho do confrade Antônio Siécola Moreira que ele foi o que mais se entusiasmou para que eu os representasse. E a todos os outros, da maneira como eu fui recebido, isso não tenho palavras para agradecer.

Jornal O Vale da Eletrônica: Você está de viagem para Alemanha e Dinamarca?
Ricardo Abrahão: Eu vou fazer conferências em Berlim, em Copenhagen. Vou dar algumas aulas e também vou fazer um aperfeiçoamento, um curso para professores que é em maior parte em Berlim. E também vou executar músicas brasileiras, algumas composições minhas, vou fazer parte de algumas apresentações musicais, vamos também fazer uma pesquisa pedagógica em musicalização infantil em Berlim que nas escolas de lá estão indo muito bem.

Não é passeio em hipótese alguma, é a trabalho, através do centro de pesquisa alemão ao qual faço parte, não tem nada a ver com o papa e o mosteiro, eu sou professor emprestado ao mosteiro, é a minha carreira acadêmica em evidência no momento.

Ganhei uma bolsa, o governo alemão está patrocinando tem apoio do Goethe-Institut, um instituto de línguas. Eu fui escolhido e agora vou representar o Brasil nesses dois países, em junho e julho.
   
   
Fonte: - jornalvale@yahoo.com.br
 
 
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