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Jornalvale:
Como o Sr. avalia a consciência eleitoral do cidadão
brasileiro, no processo de ir às urnas e exercer
o direito do voto?
Ex-ministro Rezek:
Os eleitores brasileiros estão mais conscientes
da importância do voto, da democracia e do grande
trunfo que possuímos, que é a organização
do processo eleitoral. E hoje, estão mais preparados.
O governo também contribui para divulgação
e distribuição democrática da informação,
através da propaganda gratuita proporcionada
aos diversos partidos e candidatos. Porém, uma
grande parte do nosso colégio eleitoral ainda
é constituída por pessoas muito desfavorecidas,
que condicionam suas decisões eleitorais às
formas de ajuda que recebem. Isso não é
uma coisa boa, é uma questão de consciência.
Não conseguiria fazer uma crítica severa,
por exemplo, a programas como o ‘Bolsa Família’,
pois a questão não é o dividendo
eleitoral que esse tipo de programa social dá
a quem os pratica, mas termos tantos brasileiros precisando
disso. É isso que tem que ser corrigido e espero
que essa situação mude para melhor.
Jornalvale: Como analisa
o processo eleitoral brasileiro?
Rezek: Os eleitores brasileiros estão
mais conscientes da importância do voto, da democracia
e do grande trunfo que possuímos, que é
a organização do processo eleitoral. E
hoje, estão mais preparados.
Jornalvale: Como analisa
o processo eleitoral brasileiro?
Rezek: O Brasil se tornou em poucas décadas,
um dos países mais exemplares do mundo em questão
eleitoral. O estado hoje oferece ao cidadão um
sistema confiável de escolha, por conta da segurança
do sistema de votação e apuração.
Temos dado lições de como organizar eleições,
mesmo em condições difíceis.
É importante ressaltar, que o processo eleitoral
regido no país é uma invenção
brasileira, criada em 1931 e depois copiado por alguns
países próximos. Ele apresenta a melhor
qualidade possível e não é uma
realidade universal como em outros países, regidos
por uma repartição do próprio governo
vinculada ao Ministério da Justiça e Ministério
do interior (espécie de consórcio de partidos
políticos).
Dá calafrios pensar no que seria adotar esse
sistema num país como o Brasil. Imagino que os
brasileiros subiriam às paredes se devêssemos
praticar o processo eleitoral sob a regência de
uma repartição do governo ou de um consórcio
de partidos.
Jornalvale: Como avalia
o governo atual?
Rezek: Na realidade o governo Lula no essencial
deu continuidade ao governo Fernando Henrique Cardoso.
Alguns acham que deveria ter levado a extremos maiores
uma política de esquerda, outros acham que não.
Mas a causa do sucesso e dos acertos da administração
é a continuidade que ele adotou do que é
realmente importante nas diretrizes de FHC.
Isso é verdadeiro porque confere à economia,
a manutenção de uma moeda forte, coisa
que o Brasil nunca possuiu e de 94 para cá, tem.
O grande beneficiário da moeda forte, da não
inflação, é o povo.
Já os problemas do governo Lula são outros,
tem a ver com a distribuição da função
pública, a falta de vigilância sobre certas
formas de conduta política lamentáveis.
Mas a não ser por isso, os acertos têm
sido muito mais numerosos do que os erros. E não
é de se estranhar que seja uma continuidade,
pois o governo de FHC não era um governo de direita
absolutamente. Alguns observadores precipitados se esquecem
disso, mas a gestão dele foi de oposição
na época mais obscura da nossa vida política.
Ele também foi o representante político
daqueles brasileiros que viveram no exílio.
Jornalvale: Aécio
Neves é dos nomes mais cotados como candidato
à Presidência da República em 2010.
Como o Sr. vê isso?
Rezek: Ele se beneficia grandemente da ligação
genética que tem. É neto do presidente
Tancredo Neves, que foi um brasileiro que em certo momento
da vida nacional, embora breve, reuniu sobre si esperanças,
admiração e fervor da sociedade brasileira.
Aécio se favorece disso, é uma pessoa
extremamente simpática que não faz tropelias
no tratamento dos outros; nunca ofendeu ou maltratou
ninguém. Posso dizer que seria o candidato mais
caracterizado pelo baixíssimo índice de
rejeição. Alguns gostam mais outros menos,
mas é impossível rejeitá-lo.
Politicamente é alguém próximo
do que é o governo atual e de aquilo que foi
o governo FHC em matéria de grandes decisões,
sobretudo no plano econômico. Se tivermos Aécio
como próximo presidente da República,
ele será a continuidade de FHC que não
foi interrompida por Lula.
Também há outras candidaturas que poderiam
se fortalecer, mas não creio no futuro de uma
candidatura petista só pelo fato da vontade do
presidente. Não acredito que uma pessoa sem carisma
eleitoral e sem história de sucesso, por mais
respeitada que seja, possa num espaço de poucos
meses tornar-se um ídolo nacional a ponto de
ganhar uma eleição presidencial.
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