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  Notícias do Vale da Eletrônica
  “Eleitores brasileiros estão mais conscientes”, afirma Rezek
  Por Mila Oliveira

 

Ex-ministro Rezek
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro das Relações Exteriores José Francisco Rezek, em entrevista exclusiva ao jornal “O Vale da Eletrônica” na manhã de 16 de agosto, além de ressaltar a importância que o brasileiro atribui ao voto, fez uma análise a respeito do governo brasileiro atual. Rezek esteve em Santa Rita, por ocasião das comemorações do centenário de sua mãe Baget Baracat Rezek (in memorian).
   
 
Jornalvale: Como o Sr. avalia a consciência eleitoral do cidadão brasileiro, no processo de ir às urnas e exercer o direito do voto?
Ex-ministro Rezek: Os eleitores brasileiros estão mais conscientes da importância do voto, da democracia e do grande trunfo que possuímos, que é a organização do processo eleitoral. E hoje, estão mais preparados.

O governo também contribui para divulgação e distribuição democrática da informação, através da propaganda gratuita proporcionada aos diversos partidos e candidatos. Porém, uma grande parte do nosso colégio eleitoral ainda é constituída por pessoas muito desfavorecidas, que condicionam suas decisões eleitorais às formas de ajuda que recebem. Isso não é uma coisa boa, é uma questão de consciência.

Não conseguiria fazer uma crítica severa, por exemplo, a programas como o ‘Bolsa Família’, pois a questão não é o dividendo eleitoral que esse tipo de programa social dá a quem os pratica, mas termos tantos brasileiros precisando disso. É isso que tem que ser corrigido e espero que essa situação mude para melhor.

Jornalvale: Como analisa o processo eleitoral brasileiro?
Rezek:
Os eleitores brasileiros estão mais conscientes da importância do voto, da democracia e do grande trunfo que possuímos, que é a organização do processo eleitoral. E hoje, estão mais preparados.

Jornalvale: Como analisa o processo eleitoral brasileiro?
Rezek:
O Brasil se tornou em poucas décadas, um dos países mais exemplares do mundo em questão eleitoral. O estado hoje oferece ao cidadão um sistema confiável de escolha, por conta da segurança do sistema de votação e apuração. Temos dado lições de como organizar eleições, mesmo em condições difíceis.

É importante ressaltar, que o processo eleitoral regido no país é uma invenção brasileira, criada em 1931 e depois copiado por alguns países próximos. Ele apresenta a melhor qualidade possível e não é uma realidade universal como em outros países, regidos por uma repartição do próprio governo vinculada ao Ministério da Justiça e Ministério do interior (espécie de consórcio de partidos políticos).

Dá calafrios pensar no que seria adotar esse sistema num país como o Brasil. Imagino que os brasileiros subiriam às paredes se devêssemos praticar o processo eleitoral sob a regência de uma repartição do governo ou de um consórcio de partidos.

Jornalvale: Como avalia o governo atual?
Rezek:
Na realidade o governo Lula no essencial deu continuidade ao governo Fernando Henrique Cardoso. Alguns acham que deveria ter levado a extremos maiores uma política de esquerda, outros acham que não. Mas a causa do sucesso e dos acertos da administração é a continuidade que ele adotou do que é realmente importante nas diretrizes de FHC.

Isso é verdadeiro porque confere à economia, a manutenção de uma moeda forte, coisa que o Brasil nunca possuiu e de 94 para cá, tem. O grande beneficiário da moeda forte, da não inflação, é o povo.

Já os problemas do governo Lula são outros, tem a ver com a distribuição da função pública, a falta de vigilância sobre certas formas de conduta política lamentáveis. Mas a não ser por isso, os acertos têm sido muito mais numerosos do que os erros. E não é de se estranhar que seja uma continuidade, pois o governo de FHC não era um governo de direita absolutamente. Alguns observadores precipitados se esquecem disso, mas a gestão dele foi de oposição na época mais obscura da nossa vida política. Ele também foi o representante político daqueles brasileiros que viveram no exílio.

Jornalvale: Aécio Neves é dos nomes mais cotados como candidato à Presidência da República em 2010. Como o Sr. vê isso?
Rezek:
Ele se beneficia grandemente da ligação genética que tem. É neto do presidente Tancredo Neves, que foi um brasileiro que em certo momento da vida nacional, embora breve, reuniu sobre si esperanças, admiração e fervor da sociedade brasileira.
Aécio se favorece disso, é uma pessoa extremamente simpática que não faz tropelias no tratamento dos outros; nunca ofendeu ou maltratou ninguém. Posso dizer que seria o candidato mais caracterizado pelo baixíssimo índice de rejeição. Alguns gostam mais outros menos, mas é impossível rejeitá-lo.

Politicamente é alguém próximo do que é o governo atual e de aquilo que foi o governo FHC em matéria de grandes decisões, sobretudo no plano econômico. Se tivermos Aécio como próximo presidente da República, ele será a continuidade de FHC que não foi interrompida por Lula.

Também há outras candidaturas que poderiam se fortalecer, mas não creio no futuro de uma candidatura petista só pelo fato da vontade do presidente. Não acredito que uma pessoa sem carisma eleitoral e sem história de sucesso, por mais respeitada que seja, possa num espaço de poucos meses tornar-se um ídolo nacional a ponto de ganhar uma eleição presidencial.
   
Fonte Jornal O Vale da Eletrônica - edição 637 - 23 de agosto de 2008
 
   
Fonte: - jornalvale@yahoo.com.br
 
 
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