Santarritense
organiza parte musical para Bento XVI - Por
Silvia Rafael
Ricardo Abrahão em sua casa ao piano
Ricardo
Abrahão, santarritense, músico e
um dos quatro gregorianistas oficiais do Brasil
é responsável pela parte musical
do Papa Bento XVI durante os dois dias da maior
autoridade
da Igreja Católica Romana no Mosteiro de
São Bento em São Paulo.
Ele é santarritense, já deu entrevistas
e gravou CD, que se esgotou. Foi na edição
especial da revista Música e Fé –
Cantos Gregorianos, em 2006, que Ricardo Abrahão
relatou a experiência do convívio com os
monges beneditinos e a importância de unir música
e religião. Aos 34 anos, sua trajetória
é de musicólogo, pianista, cantor lírico,
e atualmente ministra aulas de canto gregoriano, técnica
vocal, fonética latina e alemã no Mosteiro
e na Faculdade de São Bento, em São Paulo,
ambos dirigidos pelos beneditinos. Também pertence
ao Instituto Alemão, que não é religioso
e sim cultural, onde faz trabalhos musicológicos.
“Esse instituto que me empresta como professor”,
conta Ricardo que é regente do coro dos monges
beneditinos e está lá há cinco anos.
“Presto assistência a eles (beneditinos),
tenho um departamento de gregoriano em Campos do Jordão,
ainda dou algumas aulas em Pouso Alegre nos fins de semana
e sempre dentro da música”, explicou. Esse
santarritense que não pára, foi incumbido
pela equipe do Vaticano, que toma conta dos cerimoniais
do Papa, a “organizar as músicas, as partituras,
os tons e inclusive dos salmos dos bispos que deverão
cantar com o Papa”, relata. E ainda: “Os cardeais
e bispos, sou eu que vou prepará-los vocalmente
para cantar junto com o Papa”, contou.
Até os livros que o Papa deverá usar para
as orações cantadas, as Laudes (oração
da manhã) e Vésperas (oração
da tarde) que o Papa Bento XVI vai cantar, Ricardo Abrahão
é responsável. “Eu sou responsável
pelo ofício divino, pelo órgão, por
toda a parte musical, vocal dos monges e do Papa durante
os dois dias que ele tiver lá”, revela. E
composições? “Alguns arranjos para
acompanhamentos de órgão eu que fiz para
se cantar os salmos em português porque na Catedral
da Sé os bispos fazem questão de cantar
em português com o Santo Padre. Algumas antífonas
em latim, mas os salmos serão em português
e tivemos de fazer adaptação e foram eu
as que fiz, fazendo a mão a partitura”, detalha.
Segundo Ricardo a equipe do Vaticano escolheu algumas
pessoas que trabalham no Mosteiro para desempenhar algumas
funções, como exemplo o monge que vai ser
o cerimoniário do Papa durante as celebrações.
No caso dele, o Vaticano precisava de um músico
para cuidar da parte musical que o Papa fará no
Mosteiro. Ricardo Abrahão nos recebeu e concedeu
entrevista ao Jornal O Vale da Eletrônica em sua
casa no dia 8 de abril. Acompanhe.
Ricardo é regente do coro dos monges
beneditinos que irá receber o Papa na Basílica
Nossa Senhora da Assunção. Em entrevista
ele revela os detalhes dos preparativos e a alegria de
ver o pontífice.
Jornal O Vale da Eletrônica:
Ricardo você vai cantar para o Papa nos dias em
que ele estiver no Mosteiro de São Bento? Ricardo Abrahão:
Dentro do Mosteiro, eu sou responsável em preparar
as músicas que vão receber o Papa na porta
da Basílica, os sinos estarão tocando vai
ser a chegada dele oficial ao Brasil para abertura do
Celam (Conferência Geral do Episcopado Latino-americano
e do Caribe). E preparar os monges para cantar Tu es Petrus,
Te Deum Lau damus e a Marcha Pontifícia, três
músicas que se canta para o Papa. Eu vou estar
regendo e cantando no meio dos monges na chegada dele
dentro da Basílica de São Bento. É
a Basílica Nossa Senhora da Assunção
que é a igreja oficial do Mosteiro de São
Bento, de São Paulo.
JorVale:
E como está o movimento no Mosteiro? Ricardo Abrahão:
A casa passa por reparos, reforma disso, daquilo, organizações,
equipes. Mas os monges estão na correria para dar
conta, as reportagens tem mostrado isso. Mas nós
do coro estamos num intensivão danado porque temos
que preparar todos os ofícios, não são
só músicas da chegada mas ofícios
cantados durante várias horas do dia com um coro
não tão grande e uma responsabilidade tão
grande diante das maiores autoridades eclesiásticas
do mundo. Estamos realmente bem sobrecarregados, mas dispostos,
felizes com a visita do Papa.
JorVale:
Quantos alunos são no Mosteiro? Ricardo
Abrahão: São ao todo 35
monges, mas contado alguns já de idade, doentes
e alguns que prestam serviço fora do Mosteiro,
temos em torno de 25 monges cantando no coro. Eu sou praticamente
o único leigo no meio deles por ter o cargo de
regente.
JorVale: Qual é o seu
sentimento de estar lá e reger para o Papa? Ricardo Abrahão:
A emoção vai ser realmente muito grande.
Por dois motivos, primeiro que ele é o Papa, eu
vou estar diante de um Papa, cantando com o Papa e para
ele. É ter a oportunidade de beijar a mão
do Papa, “sem sair de casa” eu posso dizer
assim, estão brincando comigo que Roma veio até
nós e não nós à Roma.
Realmente foi uma grande surpresa, isso foi muito bom
para todos nós que trabalhamos lá, todos
os leigos, todas as pessoas, até as que não
são católicas estão muito felizes,
porque o Papa, um homem que representa a paz, uma religião,
representa princípios e valores.
Particularmente eu tenho uma segunda alegria, por incrível
que pareça eu já gostava muito dele quando
ele era cardial Ratzinger, eu lia livros dele, sabia bastante
coisa da vida dele sem esperar que ele fosse o Papa um
dia.
E eu sempre tive vontade de conhecer o cardial Ratzinger
pelo que escreveu, pelo que ele é, pela história
dele, o magistério que exerceu, por ser um grande
músico. Ele é um grande músico dentro
da história eclesiástica e sempre admirei
a maneira que conduz a sua inteligência, suas idéias,
suas obras escritas, ele é considerado por muitos
teólogos como o maior teólogo do século
20 e quando vemos foi eleito Papa. Ele vem ao Brasil pela
primeira vez e o primeiro lugar que ficará é
onde eu trabalho.
Realmente é uma alegria muito grande, vai ser uma
alegria muito grande para mim conhecer de perto tanto
o homem quanto a Igreja que ele representa.
JorVale:
O que você tem a esclarecer a população
santarritense? Ricardo
Abrahão: Tudo isso só aconteceu
comigo porque já exerço o cargo de músico
no local onde o Papa ficará, uma função
que me alegra muito. Sinto que é uma honra imerecida.
O principal é que o canto é muito simples
e sou uma pessoa simples, já que o canto é
simples eu sou uma pessoa simples foi por isso que fui
escolhido, se fosse preciso uma pessoa sofisticada e se
o canto exigisse sofistificações maiores
eu não seria o escolhido, só por isso que
fui escolhido. Detalhe: Eu não aparecerei na televisão
como, com muito carinho, tem dito os santarritenses. Eu
trabalho nos bastidores.
JorVale: O Papa
vai estar trabalhando no Mosteiro? Ricardo
Abrahão: Trabalhando, o Mosteiro
vai se tornar sede episcopal do Vaticano, quando ele puser
os pés dentro do Mosteiro. E nós ficamos
o tempo todo a serviço do Vaticano, ele vai ter
suas audiências, celebrar missas inclusive a canonização
do Frei Galvão, Campo de Marte, etc, vai receber
bispos, ou seja, vai ser o escritório dele. Vai
ser o lugar de trabalho dele só sabemos que estará
extremamente ocupado. Vai dormir, fazer refeições
lá, vai ficar por duas noites. Ele chega dia 9
de maio, no dia 11, no sábado ele vai cantar as
Vésperas na Catedral da Sé com os cardeais
e bispos e segue viagem para Aparecida do Norte. Ali encerra
a nossa tarefa.
JorVale: Você também
estará na Sé? Ricardo
Abrahão: Ainda não sei,
embora seja eu que vá preparar tudo. Não
sei se eu serei mais necessário na saída
dele no Mosteiro ou na chegada na Catedral da Sé.
Mas na verdade a minha função como regente
é mais de preparar nos bastidores e com antecedência
ensinar os bispos a fazer o ofício com o Papa do
que estar cantando na hora lá na frente.
A responsabilidade é muito grande, seriíssima
e, mas na verdade é um tipo de um cargo de regência
gregorianista que é de organizar, preparar, escrever
partituras, dar tons, preparar tudo e talvez no momento
eu possa só assistir, possa sentar e usufruir do
fruto do trabalho.
JorVale: Quando é
que recebeu o convite? Ricardo
Abrahão: Esse convite veio junto
com a comissão do Vaticano no final do ano passado
em que havia já uma veiculação de
tudo isso. Mas quando entrou o ano de 2007, que as cerimônias
precisavam ser oficializadas, recebi o convite oficial.
JorVale: E sua família como recebeu
a notícia? Ricardo
Abrahão: A minha família
está encantada. Vê a luta da gente, sabe
dos nossos esforços e acho que vai ser uma bênção
não só para minha família como para
todos santarritenses porque eu possuo aqui em Santa Rita
uma imensa gratidão. Eu posso dizer com todo orgulho
que eu sou um santo da terra que fez milagre porque geralmente
o santo da terra não faz milagre e aqui foi diferente.
Os santarritenses, amigos, parentes, colegas, todas as
pessoas com quem eu convivi sempre me apoiaram, sempre
me incentivaram e eu sou uma exceção a regra,
porque eu sempre fui valorizado em minha própria
terra antes de ser valorizado em qualquer outro lugar.
Eu tenho orgulho de ser santarritense, representando toda
a minha cidade, todos os santarritenses cantando para
o Papa, estando com o Papa e pedindo uma bênção
para nossa cidade, por toda minha família, todos
os meus amigos, por todos de Santa Rita do Sapucaí.
JorVale: Se você conseguisse um momento com o Papa
o que pediria para ele? Ricardo
Abrahão: Uma bênção
por toda nossa cidade, por Santa Rita do Sapucaí
porque eu sou fruto dessa terra, eu sou fruto do trabalho
de muitas pessoas daqui. Uma bênção
por toda nossa cidade e extensivo ao nosso país,
porque acho que nosso país, nunca precisou tanto
de uma bênção quanto agora. Acho que
Bento XVI possui uma capacidade ímpar de ensinar
a verdadeira ética, moral, a filosofia cristã
não só para o Brasil como para todos bispos
da América Latina.
JorVale: Gostaria
de deixar alguma mensagem Ricardo? Ricardo
Abrahão: Eu quero agradecer ao
jornal, a todos que já me entrevistaram, fui na
Rádio Comunitária, já saí
na revista, etc. Eu gostaria só de agradecer mas
sobretudo agradecer a todo o povo de Santa Rita inclusive,
antes desse decreto a respeito do Papa, prova é
que Santa Rita me valoriza muito é que fui eleito
para a Academia de Letras, Artes e Ciências Santarritense
para a cadeira 23 que é a cadeira José Antonino
Raposo Lima que é meu bisavô, e eu vou tomar
posse junto com outros colegas no dia 26 de maio aqui
em Santa Rita na Academia.
Isso prova o valor que a terra dá, sendo tão
jovem já eleito assim para uma Academia tão
séria, indignamente e uma honra muito grande. Foi
uma alegria tão grande quanto receber a notícia
do Papa. Eu acho que minha cidade me valoriza muito, me
ajuda muito e me ajudará mais ainda agora com a
Academia que foi uma grande honra que recebi tão
jovem da minha própria cidade. Vale mais receber
a honra, o carinho dos meus santarritenses dos que os
aplausos de pessoas que não me conhecem. Aqui eu
sou o Ricardo que anda na rua, amigo de todo mundo, que
conhece todo mundo, e graças a Deus eu tenho um
verdadeiro e profundo relacionamento de amizade com o
povo da minha cidade. Eu tenho orgulho de dizer que sou
santarritense.
Para finalizar Ricardo tem dois CDs gravados, um em 2004,
com as monjas beneditinas de Campos do Jordão (que
estarão presentes na Festa de Santa Rita), “Ancilla
Domini” e no ano passado, gravou com os monges do
Mosteiro de São Bento, o “Pascha Nostrum”
que são todas as músicas da páscoa
que foram editados pela revista da editora Qualidade de
Vida, já esgotado, mas será reeditado. O
“Ancilla Domini” está a venda, os interessados
podem encomendar pelo e-mail abrahao3@yahoo.com.br. “O
CD das monjas ficou muito bonito, e possui temas marianos”,
completa.