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Jornal O Vale:
Gostaria que o Sr. falasse sobre a rebelião na
Cadeia, como tudo ocorreu?
José Walter: No último domingo, dia 1º
de julho, fomos acionados pela guarda da Cadeia, informando-nos
que três detentos haviam brigado e um deles estaria
ameaçado de morte. Adotamos as providências
para separá-los e demovê-los do intento.
Porém, eles não se conformando, iniciaram
um motim, onde conseguiram estourar os cadeados das celas
e soltar os outros presos. Atearam fogo nos colchões,
arrebentaram os ferrolhos das grades e danificaram as
instalações da Unidade Prisional. Felizmente,
a PM através do Capitão Daniel e do Delegado
de plantão José Antônio, intervieram
e a rebelião foi controlada sem que houvesse maiores
danos ou risco de vida aos detentos e policiais ali envolvidos.
Quais providências
foram tomadas pela Polícia?
A prioridade nossa era resgatar três presos que
foram feitos de reféns e estavam em poder dos
rebelados. Após uma tensa negociação,
os reféns foram entregues pelos presos revoltosos
com a presença da imprensa local que lá
compareceu. Os reféns saíram um pouco
machucados, mas foram logo socorridos e atendidos no
hospital local, não sofrendo maiores traumas.
Quando a rebelião foi dominada, acionamos também
a perícia técnica da Delegacia Regional
para que fossem registrados os danos ocorridos ao patrimônio
público. Foi instaurado um inquérito policial
para melhor apurar os fatos.
Houve alguma fuga de
preso?
Felizmente nenhum detento ou recluso fugiu.
Como é o dia-a-dia
dos presos (o que eles fazem, atividades que desenvolvem)
e qual é a rotina na Cadeia?
Os reclusos de bom comportamento têm autorização
para realizar “trabalhos laborativos” para
que não fiquem ociosos. Temos detentos trabalhando
internamente, produzindo coroas para imagens da Nossa
Senhora e outros trabalhando na horta comunitária,
produzindo frutos e legumes que são destinados
a seus próprios familiares e também a
população carente do bairro. Há
proposta para que alguns detentos trabalhem, mediante
autorização judicial na Fábrica
de Bloquetes da Prefeitura e já temos alguns
exemplos de que tais atividades contribuem para a reeducação
e reinserção do preso na comunidade.
E também é importante destacarmos, que
muitos deles só aderem ao movimento por medo
ou porque estão ameaçados por outros detentos
que exercem liderança sobre os mais fracos. Quando
conseguimos identificar tais lideres, os transferimos
para a cadeia de Pouso Alegre/MG.
Os presos fazem alguma
atividade externa? Quais são e como são
feitas?
Além dos trabalhos laborativos já citados,
a rotina da Cadeia incluiu banhos de sol nas manhãs
de segunda e sexta-feira e visita dos familiares na
tarde das quartas-feiras. Toda quinta-feira os reclusos
recebem assistência médica que vêm
sendo prestada gratuitamente pela Dra. Tatiana Telles;
nos casos mais graves são atendidos no Hospital
local. Os reclusos têm também assistência
religiosa fornecida pelo pessoal da Pastoral Carcerária
(Dona Dailes e Messias) e também pelos Evangélicos
(Stefânia).
Quem fornece a alimentação?
Uma empresa contratada pelo Estado através de
licitação fornece diariamente café
da manhã, almoço e jantar aos presos,
todos os dias ininterruptamente. A alimentação
é acompanhada pela Dra. Jaqueline (nutricionista
da empresa referida) e o alimento é de boa qualidade,
ou seja, atende as necessidades dos reclusos; que, além
disso, permitimos nas visitas que os familiares levem
outros alimentos, os quais são entregues aos
presos, pois muitos preferem preparar sua própria
alimentação na cela.
Quantas celas têm
na Cadeia, qual a capacidade e quantos presos estão
hoje recolhidos?
Nossa cadeia possui capacidade para abrigar pelo menos
80 presos nas dez celas existentes. Também há
instalações para presos albergados com
dormitórios em alvenarias na parte de frente
da cadeia. Hoje, temos entre albergados e reclusos,
62 presos, não há excesso de lotação
e em cada cela temos uma média de quatro a cinco
presos (há casos de celas com apenas dois ou
três detentos).
O senhor entende que
as reivindicações feitas pelos detentos
foram justas?
Em duas oportunidades os reclusos fizeram queixas por
escrito ao Juiz, e as duas reclamações
foram julgadas improcedentes. Não considero as
reivindicações deles justa, porque conheço
Cadeias que são muito piores que a de Santa Rita,
onde se tem excesso de presos e não há
nenhum trabalho com eles. Pelas limitações
materiais e material humano que o Estado nos proporciona
(também recebemos muita ajuda da Prefeitura),
a cadeia de Santa Rita é um paraíso. E
só para comparar, na cadeia de Pouso Alegre,
hoje temos 205 reclusos, num local onde cabem 70. |