Novo
comandante da Polícia Militar enfatiza participação
da comunidade
Por Silvia Rafael - Especial
Da esquerda para direita: os tenentes Moreira, Maximiliano
e Júlio, oficiais do novo comando da PM-SRS
na sessão da Câmara Municipal - FOTO
Silvia Rafael
Dentre
os vários assuntos levantados na coletiva com
o novo comando da 114ª Cia da Polícia Militar
de Santa Rita do Sapucaí no dia 28 de agosto
com a imprensa local, como a situação
da cadeia pública, o efetivo policial e o trânsito,
o 1º tenente Júlio Cezar de Campos Silva
revelou que o foco de seu trabalho no combate a criminalidade
no município dentre elas serão palestras
preventivas visando orientação à
comunidade como dicas de segurança.
E enfatiza que é fundamental a parceria com
a população, Polícia Militar,
Consep – Conselho Comunitário de Segurança
Pública, Polícia Civil, delegados, promotores,
juízes para trabalhar em conjunto e além
da Prefeitura e Câmara Municipal em “um
somatório de forças e tentar melhorar
a segurança pública da cidade”.
Os serviços dos novos comandantes já
começaram e serão três oficiais
na sede da companhia. São três trabalhando
em planejamento, mais o subtenente, os sargentos e
outros policiais. Os trabalhos estão em andamento
como o agendamento de reunião com a diretoria
do Consep e representantes da sociedade que formaram
uma comissão e organizam o 1º Fórum
de Segurança Pública de Santa Rita do
Sapucaí. O Fórum será para reunir
todas as autoridades municipais, estaduais e federais
para tratar da segurança e está previsto
para outubro. A comissão já se reuniu
anteriormente e a última foi na tarde de segunda-feira
31 com o novo comando da PM. Na reunião estavam
presentes o presidente do Consep José Leandro
Romero, vice Giácomo Costanti, tesoureiro Ney
Carneiro e a conselheira Silvia Rafael. Da sociedade
civil representantes de entidades de classes como
o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, Leonilton
Moreira e mais Ivan Gonçalves. Leonilton colocou
que a situação no município é
grave e requer mudanças.
Na reunião da Câmara Municipal de 1º
de setembro o tenente Júlio foi a tribuna e
apresentou os dois outros membros do comando, o 2º
tenente Maximiliano Silva Soares e o tenente Valdeci
Moreira mantido pelo comando do 20º Batalhão
de Pouso Alegre. Lá respondeu os questionamentos
de cinco vereadores por mais de 30 minutos.
Abaixo os principais tópicos da coletiva
com o tenente Júlio:
O que vão fazer para amenizar a segurança
no município? Inicialmente procuro
sempre trabalhar e o Maximiliano também nessa
ótica, buscamos sempre estar trabalhando com
a participação comunitária, uma
parceria com a comunidade para receber as informações
necessárias para atuarmos. Tentamos colocar
na cabeça da população que todos
eles são nossos olhos. De que forma? Eles viram
uma pessoa em atitude suspeita acionar a Polícia
Militar. Acionar antes que ocorra o delito. Se acontecer
o roubo, para poder conseguir prender o cidadão
o aparato policial que se gasta é muito maior
e deixa as vezes de atender um outro crime. Se abordar
o cidadão antes que ele cometa o roubo, mesmo
que não esteja armado naquele momento, igual
a alguns casos que temos como exemplo, que pessoas
aparentam estar armados, mas estão com canos
de pvc, foi o caso de um posto de gasolina que o militar
abordou o cidadão e conseguiu prender. Se abordarmos
esse cidadão, se ele pensava em fazer aquele
roubo mesmo que não estivesse armado ele não
vai fazer mais. Precisamos realmente da participação
da comunidade.
Vale muito para denúncias de drogas. Se ela
fizer a denúncia e trouxer as informações
necessárias podemos estar trabalhando na possibilidade
de prender esse cidadão e tirar de circulação
sem comprometer a identidade da pessoa. Um exemplo,
ele está traficando no bairro tal, mas em qual
rua? Se tiver essa informação em qual
rua, número da casa é muito melhor para
nós. O primeiro nome ou apelido para estarmos
informando o poder judiciário e de repente
solicitar um mandado de busca e apreensão.
O trabalho que tentamos fazer é mais no foco
preventivo. As pessoas têm que pensar o seguinte:
Onde elas moram tem que ser o melhor local para se
viver. Eu procuro fazer isso em todo lugar que trabalho.
Onde estou trabalhando tem que ser o melhor local
para trabalhar e viver, procuro fazer o melhor ambiente
de trabalho em questão de segurança
para toda a comunidade porque minha família
faz parte da comunidade.
Campanha de prevenção –
Nós temos já algumas palestras sobre
medidas de auto proteção, estaremos
passando elas para a comunidade e pediremos os espaços
públicos da Prefeitura, da Câmara, um
local para fazer essas reuniões e me coloco
a disposição, o tenente Maximiliano
também e nos colocamos a disposição
para empresas que também queiram algumas dicas
de segurança. As palestras são preventivas
visando orientação à comunidade,
além de palestras, eventualmente se rádio,
jornal, ceder espaço para dicas.
Maximiliano completa: “O fato de irmos até
elas levar a informação despertá-las
para isso, chamar a atenção para essa
situação faz a diferença. Uma
palestra, uma conversa, uma vistoria numa residência,
numa loja, uma cartilha que distribui já prepara
a pessoa para lidar com a situação e
prevenir também. Depois que o fato acontece
além de ser mais oneroso mais dificultoso causa
dano maior também. Então o mais importante
é prevenir e para prevenir sozinhos não
conseguimos porque é impossível estarmos
em todo lugar ao tempo todo. É preciso que
cada um tenha essa consciência, se auto ajudar,
se prevenir e a diferença está nisso
despertar pessoas porque a rotina acaba deixando a
guarda aberta para o criminoso agir”.
E a proibição do uso de capacetes em
estabelecimentos comerciais: “Acredito que realmente
possa estar inibindo um pouco as ações
desses infratores, mas para isso uma orientação
que depois passarei aos postos que ficam abertos a
noite e outros estabelecimentos, na medida do possível
colocar já uma orientação. O
frentista está dentro do posto, vem um cidadão
de moto com capacete, para abastecer. Enquanto tiver
de capacete o frentista não sair para atendê-lo.
Só sair após a retirada do capacete.
Na cidade de Jacutinga estava tendo problemas com
roubo a postos de combustível. Uma das providências
foi tomada por orientação do comandante
do pelotão da PM que foi de tomar essa atitude
e mais as câmeras de monitoramento que é
outro que ajuda na identificação dos
infratores”.
Júlio enfatiza “que é fundamental
a parceria com a população, o trabalho
preventivo, Polícia Militar, procurar participar
o Consep, que é outro elo de ligação.
E as autoridades constituídas, vamos nos aproximar
dos delegados, promotores, juízes para trabalhar
em conjunto e a própria Guarda Municipal que
muito nos apóia, estamos trabalhando em conjunto,
além da Prefeitura e Câmara estamos fazendo
um somatório de forças e tentar melhorar
a segurança pública do município.
O principal é a participação
do cidadão. Enquanto o cidadão estiver
preocupado só com ele nós não
vamos conseguir reverter esse quadro. A partir do
momento que ele observar um cidadão, sei que
o vizinho está viajando estou escutando barulho
na casa e não vou chamar a Polícia,
porque? Ah! não é meu não me
importo. Não, o certo é chamar. Tem
que acionar para evitar o crime. Infelizmente essa
realidade não é só daqui. Temos
que trazer o sentimento de segurança para a
população através da própria
ajuda deles”.
Cadeia pública – Após
conhecer o ambiente é tentar ajudar da melhor
forma possível. Hoje fazemos uma guarda noturna
e o ideal pelo que eu vi da cadeia, é desativar,
aparentemente, não posso dar um laudo técnico
porque não sou engenheiro, não tenho
conhecimento na parte de estrutura do prédio.
Mas é uma cadeia muito precária. Fui
a noite lá e está sem iluminação,
é algo complicado. Se precisar as vezes agir
lá dentro tem que entrar como? Segurando lanterna
e arma ao mesmo tempo, fica uma situação
complicada.
Em Monte Sião fizemos uma parceria com a Polícia
Civil, inclusive conseguimos uma doação
de computador para o quartel, mas na ocasião
reverti para a cadeia onde já tinha as câmeras
e faltava o computador para monitorar, isso deu certo
ajudou muito diminuindo as fugas. Essas parcerias
são importantes e agora temos um conselho comunitário
de segurança pública funcionando no
município, o Consep e é um elo de ligação
das organizações policiais, no caso
Polícia Militar e Civil com a comunidade. Nada
impede mantermos contatos diretamente com a comunidade
é o que precisamos inclusive, essa aproximação.
Mas o Consep também pode fazer esse intercâmbio
de informações.
Suapi – Subsecretaria de Administração
Prisional: a partir do momento que assumem a cadeia
temos uma situação completamente diferente,
porque, a Polícia Civil não precisa
se preocupar com a cadeia porque já vai existir
um órgão especifico para cuidar daquilo
e é especializado. A cadeia não é
atribuição da Polícia Civil também,
assim como não é da Polícia Militar.
Hoje a PC faz a gerência, no caso o delegado
é o diretor da cadeia, mas só que isso
é um acúmulo de função.
A responsabilidade é da Suapi e está
prevista assumir até 2010. O governo tem tentado
cumprir os prazos estabelecidos. A Suapi quando assume,
são treinados especificamente para aquilo,
o que desonera as PMs e PCs que tira os militares
da guarda. E coloca o diretor responsável e
com vários agentes. A escolta de presos para
hospital, fórum, delegacia é feita pela
Suapi. O exemplo é o que aconteceu em Pouso
Alegre, são 60 agentes. Em Santa Rita são
três agentes penitenciários, é
um número irrisório.
Tratamos em outra reunião a metodologia Apac
– Associação de Proteção
e Assistência aos Condenados e a possibilidade
de implantação aqui. É interessante
depende do espaço físico para poder
estar se criando, o poder judiciário tem que
ter interesse também de participar, isso tudo
temos que ver de acordo com a realidade do município,
como ainda não tenho esse diagnóstico
completo não posso afirmar que é possível,
mas acredito que seja. Em Pouso Alegre tem uma unidade
e funciona com 50 detentos. O que sabemos tem várias
plantações e fazem marmitex industriais
em grande escala. O preso lá custa para o Estado
na Apac em torno de R$ 360,00 e numa unidade prisional
normal é mais de mil reais. O detento recebe
numa conta dele ou passa para a família mais
de R$ 200,00 por mês e a cada três dias
trabalhado um dia da pena é reduzido. É
uma idéia muito boa e socializa os presos de
bons comportamentos. Vamos fomentar essa idéia,
mas que depende de muita gente participar, vai ter
que ter alguém que queira realmente presidir
essa associação. Vamos ter que sentar
com as autoridades e ver se é possível.
Trânsito – nessa questão
desde 1997 uma lei do código de trânsito
brasileiro que na ocasião já instituiu
uma municipalização do trânsito,
todos os municípios teriam que assumir o trânsito
para si. Vários municípios têm
partido para esse foco, mesmo porque o trânsito
é problemático, mas trás arrecadação.
Hoje enquanto a PM faz a fiscalização
através de convênio com o município
a Prefeitura recebe apenas a metade do valor das multas
aplicadas e pagas, de estacionamento e circulação.
Se a Prefeitura fizer essa fiscalização,
100% do valor seria revertido à Prefeitura
para ser utilizado exatamente em sinalização,
educação para o trânsito e o policiamento
de trânsito. Temos exemplo de município
no estado de São Paulo que tem uma arrecadação
muito grande, além de ser visitado por turistas
é muito utilizado no deslocamento do estado
de São Paulo para Monte Sião, Jacutinga,
Ouro Fino. E lá tem vários radares eletrônicos
e como o valor das multas é revertido estão
colocando câmeras de grande alcance, fazem autuação
através delas e de contrapartida fazem fiscalização
da população, se o cidadão está
olhando uma loja, se invadiu loja ou casa, estão
evitando crimes. O interessante é o município
tentar se enquadrar no sistema nacional de trânsito,
criando o departamento de trânsito. Mas tudo
depende da receita, do que se tem de verba, se é
possível ou não, hoje ainda não
sei essa realidade vamos estar conversando com o prefeito
se é interessante para o município.
Número de policiais atendem a demanda
do município? Não, mas na realidade
não é só em Santa Rita, infelizmente
no estado de Minas devido a vários anos que
ficaram sem recrutamento, isso no passado, hoje ainda
sofremos reflexo disso. Mas ultimamente todo ano tem
recrutamento maciço de policiais, mas ainda
está só querendo tampar os buracos antigos.
O déficit é geral no estado. Mas tem
se trabalhado exatamente para aumentar a capacidade
de cursos na Polícia inclusive Pouso Alegre
possivelmente deve estar firmada como a 17ª região
de PM. Estabelecendo essa 17ª região vai
formar policiais, o curso de soldado, o curso técnico
de segurança pública vai ser feito em
Pouso Alegre não só em Lavras. Com isso
já aumenta mais uma unidade para poder estar
capacitando policiais e aumenta a possibilidade de
número de policias. No final do ano agora tem
a formatura de um curso de soldado vamos trabalhar
para verificar junto ao comando a possibilidade de
aumentar o nosso efetivo assim como todas as outras
companhias vão tentar devido aos seus déficits,
mas nós vamos estar apontando quais são
os nossos problemas e a peculiaridade do município
que hoje está com uma situação
difícil e por diversos problemas não
é só questão do efetivo da Polícia
Militar, sabemos que o problema é o sistema
como um todo.
Na reunião da Câmara Municipal desta
semana o comandante da Companhia da PM usou a tribuna
para apresentar o novo comando e onde respondeu as
perguntas dos vereadores. Tenente Júlio explanou
vários exemplos de mudanças na legislação
municipal de algumas cidades para diminuir a criminalidade
e disse aos vereadores que tem como missão
especifica do comando (do 20º Batalhão)
juntamente com os policias que aqui atuam para que
possam tentar junto a comunidade, aos poderes constituídos
verificar mecanismos para que consigam abaixar a criminalidade
em Santa Rita do Sapucaí. Em seguida o presidente
da Casa Legislativa Magno Magalhães abriu a
sessão para perguntas dos legisladores, abaixo
resumos de algumas respostas.
Júlio colocou que pelo momento difícil
o foco é a participação comunitária.
“Como pretendemos reduzir a criminalidade, não
é só a Polícia Militar atuando.
Vamos ter que fazer uma aproximação
de todo o sistema de defesa social junto ao Poder
Judiciário, até mesmo o Poder Executivo,
Legislativo”. Discorreu alguns exemplos simples
que ocorreu na cidade de São Gonçalo
do Sapucaí que reduziu lesões corporais
e até tentativas de homicídios que foi
a aprovação de uma lei de horário
pré-estabelecido para funcionamento de bares.
“Em determinado horário os bares fecham
e acabam os problemas. Foi um pedido da comunidade
e atuação do Consep junto a Prefeitura
e Câmara conseguimos essa aprovação”.
“O que senti nesses poucos dias que aqui estou
é que a comunidade participa pouco da prevenção
deles mesmos e até mesmo da denúncia
anônima”, destaca o comandante.
Questionado sobre o número do efetivo policial,
tenente Júlio explicou: “São 32
militares para o preventivo não é suficiente,
mas afirmar que é só isso o problema
não é também e é a cidade
que eu peguei com maior efetivo. Para nós a
previsão a nível de estado o máximo
de policiais que pode vir pra cá são
40, seriam mais oito”.
Fugas na cadeia: “Uma questão que está
sendo apontada, a própria Polícia Civil
está fazendo diagnóstico e temos conhecimento,
mas apesar de não ter tido contato ainda com
dr. Waldir e outros delegados mas o farei. Teve uma
equipe da PC que veio verificar essa situação,
os problemas, para tomar alguma atitude nesse sentido.
Hoje a cadeia é administrada pela PC o que
não é missão da PC assim como
não é da PM. Hoje existe uma Subsecretaria
de Administração Prisional que é
quem cuida das cadeias públicas. Há
uma lei estadual sancionada que até o ano que
vem que as cadeias sejam assumidas pela Suapi. E as
cadeias onde a Suapi assumiu o problema acabou. A
PC e a PM com a mais boa vontade que tiver dificilmente
vamos conseguir evitar fugas, temos mais de 70 presos
e uma pessoa vigiando. É muito pouco”.
Sobre os assaltos no comércio a viatura está
passando mais vezes, e os policias “param e
descem, caminham pelo bairro, fazem contato com os
comerciantes para pegar informações
que precisamos para poder atuar. Só o patrulhamento
não resolve, é imprescindível
que o cidadão que conhece o infrator, lógico
que não pode se comprometer, não vai
falar o nome dele na denúncia, mas ele viu
o infrator saindo numa moto. Uma das medidas que pretendemos
fazer são palestras de auto proteção.
Serão ministradas por mim e pelos dois tenentes
que visam trazer informações para a
comunidade no sentido de situações e
atitudes que podem tomar para evitar serem vitimadas.
E o monitoramento com câmeras. Hoje a maioria
dos municípios estão monitorados, tem
câmeras nos principais pontos. E porque aqui
o Vale da Eletrônica não temos? Vamos
ter que envolver vários segmentos da sociedade
para mudar esse quadro. São medidas que podemos
tomar a médio e a longo prazo” encerra
tenente Júlio.
Fonte
Jornal O Vale da Eletrônica - edição
689 - 05 de setembro de 2009